Olá, Pedro!
As
suas perguntas são bem específicas e podem também esclarecer quem
não está familiarizado com o campo da Educação Especial e
Inclusiva. Como o próprio termo indica, “multifuncionais"
refere-se à capacidade de desempenhar diversas funções ou
atividades dentro de um mesmo espaço. No contexto das "salas de
recursos multifuncionais", isso significa que esses espaços são
organizados para atender as necessidades específicas dos alunos com
deficiência, oferecendo diversidade de recursos, tecnologias e
suportes adaptados. Os recursos disponíveis, Pedro, podem variar
dependendo das especificidades e das necessidades dos alunos
atendidos, mas geralmente incluem: livros em Braille, mapas táteis,
mobiliário e equipamentos adaptados como mesas ajustáveis em
altura, cadeiras ergonômicas ou outros dispositivos que facilitem a
acessibilidade e acomodação adequada (como disse, depende das
necessidades dos alunos). Importante destacar que a variedade de
recursos depende também da verba que a escola recebe para a compra
de materiais e equipamentos específicos da Educação Especial. No
caso dos alunos com autismo (que variam em níveis de suporte: 1, 2 e
3) temos, por exemplo, sistemas de comunicação alternativa que
utilizam imagens, símbolos ou cartões com representações visuais
para auxiliar na comunicação e expressão de desejos, necessidades
e emoções, recursos visuais que ajudam a organizar rotinas (como a
que ilustrei no meu artigo), atividades e transições, oferecendo
previsibilidade e auxiliando na compreensão do que vai acontecer ao
longo do dia. Material de apoio sensorial, como objetos táteis,
almofadas, bolas antiestresse, brinquedos diversos. Material
de apoio para habilidades sociais e emocionais:
atividades e recursos adaptados para trabalhar habilidades sociais,
como jogos de papéis, histórias sociais, atividades de simulação
de situações sociais, entre outros. Além dos materiais comprados,
o professor, com sua expertise, pode criar seus próprios materiais
visando as especificidades de seus alunos. Quanto aos recursos de
tecnologia assistiva que você pergunta, ela se divide em baixa
tecnologia (ver meu relato de experiência:
https://obee.ufrrj.br/portal-de-praticas-inclusivas/publicacoes-praticas-inclusivas/ intitulado: Relato de experiência: o uso de recursos de baixa tecnologia no ensino remoto de uma aluna com deficiência intelectual) e alta tecnologia assistiva. Enquanto nesta geralmente requer conhecimento técnico para utilização, manutenção e adaptação,
e são desenvolvidas para oferecer soluções avançadas e
específicas para pessoas com necessidades específicas, visando
aumentar a independência, melhorar a qualidade de vida e
proporcionar maior inclusão social, aquela se refere a dispositivos
mais simples e de fácil acesso. Exemplos de baixa tecnologia
assistiva: cartões de comunicação visual, bengala, abridor de
frasco adaptado, entre outras.
Exemplos de alta tecnologia assistiva: cadeiras
de rodas motorizadas avançadas, sistema
de comunicação por computador, próteses robóticas, entre outras. Sua
última pergunta foi sobre a aprendizagem curricular do aluno. Então,
como especifiquei no texto (sugiro que você releia) a prioridade é
o desenvolvimento de habilidades pré-acadêmicas que, no caso desse
aluno, é uma etapa essencial para construir as bases necessárias
para o aprendizado acadêmico. Isso pode incluir atividades motoras,
atividades para desenvolver a comunicação, atividades de vida
diária, entre outras).